6 de abr. de 2011

Rompimento ( razão versus menestrel alado)


Racionalidade é um bem precioso, quanto a isso não há dúvida. Essa assertiva mais se acentua em minha vida quando noto determinadas panacéias livres, que se alastram qual rastilho de pólvora. O que está havendo? De que modo podemos obter algum raciocínio em meio a apupos loucos, danças que mais parecem uma viva denúncia de nosso lado racional desgovernado?

A mídia moderna apresenta-se como um canal surpreendente, onde circula uma gama extraordinária de mercadorias, heresias, cada empresa vendendo o que lhe é pertencente. E amor, cadê a lógica do amor? . Fé não é empresa;e a patifaria, os “dançarinos do Senhor”aproveitam e pintam a canecada total. Aí, diante das câmeras , que os impedirá? Acho deprimente o luxo, a proeminência, a construção de tanta quinquilharia, ao passo que o amor a outrem é deixado de lado, no alto mar do esquecimento...

Ah, talvez haja-se uma premiação superior, para centenas de pessoas se ajustarem a essa prática deprimente de “crer”. Crer, nestes modernos tempos, tornara-se uma prática, uma ação angariadora.. Há quem cognomine de “obras de Deus” as ovelhas dançantes no palco do Senhor! Por conseguinte, a gente dançante vive a martirizar a crença alheia, priorizando mais a liberdade de outrem do que a “pequena liberdade” que os tangencia. Já escutei depoimentos de amigos meus ,na seguinte certeza: Puxa, fulano que é ******, não me dá uma atenção pois sou *****. É certo ? Foi instituído um novo “mandamento” e nada me foi dito?

Cabeças, corpos e membros num coquetel de ignorância, fantasiados, (na baixada fluminense, creio que sofram abeça coma a alta temperatura), bailam durante três horas para que a eterna salvação seja obtida. Oh glória, haja disposição.. Ora, se ocorre dessa forma, se a igreja primitiva, se o antigo e verdadeiro apostolado nos legasse tal paradigma, certamente poderíamos dançar o avivamento que tanto mostram os templos modernos! Me pego rindo ao tentar imaginar Paulo rebolando o esqueleto, e Pedro com um pandeirinho...Mas não é dessa forma. Partindo dessa premissa , grita-me o consciente, filho da razão: após isso tudo,o que virá? Há as danças frenéticas, a gritaria ensurdecedora, batuques,a histeria contrária à razão..mas e depois disso? Será que a premiação exorbitante, prometida pelos “engravatados de plantão”, pelos “clows sem Shakespeare”, virá mesmo? Particularmente, vejo isso como uma forma de manietar os ignorantes, diante de quem quiser ver e compreender. Sim, é fato. Ora, se milhares de bênçãos, tantas casas próprias, tantas cadernetas rechonchudas fossem entregues aos fiéis dizimistas no decorrer de um único culto, o que restaria para ser-lhes dado nas próximas apresentações? Aí, acredito que o vendaval de discórdia perderia sua graça! Não denomino culto uma apresentação à la Baú da Felicidade!

Ah, os lençóis ungidos, as flanelinhas com a seguinte inscrição : Dê 20 hoje e depois Deus lhe renderá o dobro! Maravilha, então Deus tornou-se uma imensa, uma gigantesca marionete recheada de dinheiro e que ao ser tocada pela mão do pobre – necessitado, faz descer uma torrente de “bênçãos celestiais” contadinhas, geralmente em cédulas de 50...

Divisões, pré – tribulacionistas versus pós – tribulacionistas. Neologismos apimentados querendo explicar o que já é óbvio e notório ante nossas faces. Acidentes de caráter, panelinhas. Quebra de virtude. Preconceito das formas mais variadas – atingindo o semelhante por aquilo que faz, não pelo o que é. Separação, pequenina dosagem de vida, de liberdade. A ferocidade do instinto fanático procurando almas para consumir, afastando o homem de Deus, direcionando-o forçosamente à vontade humana. Ou será que a Deus importará 10 % de nosso suor? Quem já parou para analisar, que se cada indivíduo desses que outorga dez por cento de seu salário a uma instituição religiosa (em se tratando de Brasil, não sendo muita coisa o salário mínimo), se juntasse a outro indivíduo que faz o mesmo, e juntos montassem uma pequena instituição de auxílio ao próximo?Que maravilha seria!A carta branca do amor povoando os corações, no mútuo auxílio ao próximo. E disso agrada-se Deus. Auxílio ao próximo é obra de Deus, sim.

Em nome de Jesus ofertam , em nome de Deus preconizam a dor, em nome de Alá bombas explodem, em nome de não sei mais o que perdemos o rumo da vida. Prendemo-nos às crenças, abitolamos nossas atitudes mais sensatas e permanecemos anexados à falta de razão. Desprezamos a ciência em detrimento de dezenas de suposições. Sequer conseguimos pensar com mansidão, usando a nossa própria cabeça, que é um instrumento maravilhoso!Em nome de muito, deixamos de viver plenamente. Vivi boa parte desse exagero e de repente enlouqueci às antigas amizades conservadas nesse ideal maluco. Só que escapei. Quem preza trouxa é lavadeira. Deus não é caderneta do banco Itaú, e tampouco Lhe interessa o que podemos dar ou fazer...se isso muito bem conseguirmos, o que é altamente impossível. Sendo minha existência única, tratarei de vivê-la racionalmente, sem arrepender-me de pequenas suposições. A Deus devo satisfação. Aprisionado, não poderei alçar voo com asas que Ele em deu.

Dentro de quatro paredes não consigo enxergar o céu azul. E a liberdade tem a cor dos meus olhos._

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