Jamais eu poderia supor que um sonho redundasse em aprimoramento poético. Vezes tantas, ainda no estágio inicial da minha juventude, cri que sonhos eram avisos prévios de algo quer aconteceria muito brevemente, havendo uns outros sonhos que, logicamente, não passavam de intervenção fantasiosa do cérebro.
Diferentemente desse contexto, apareceu-me um sonho contado poeticamente. Um sonho com veleidades mórbidas. Tal qual uma canoa à deriva no nada, deparando-se com fortes torrentes de líquido azul e poderoso. Um sonho que, para quem tentar enfrentá-lo ,torna-se um imenso breu, cansando a vitalidade. Infelizmente um sonho nada bom.
Bem como José que, sob atenção divina, interpretara sonhos ao faraó, senti a mesma nostálgica impressão ao ler um pataco de versos que me aparecera na página de recados do Orkut, mas sem data marcada , nem aviso prévio, tal qual ocorre às surpresas verdadeiras. Fora eu presenteado e no entanto não poderei retribuir de mesmo modo à poetisa, pelo nobre presente. Não em sonho narrado poeticamente, pelo menos.
É algo que alcunhei de cântico. Parece mais uma canção trazida do berço do tempo, alguma magia que a poetisa vinculara à aflição do sonho. Um sonho curioso, onde a narrativa incorre dizendo que alguém não sabia escrever o nome da autora com a devida segurança e que também não é devidamente reconhecida pelo “destinatário”. Uma aflição que torna-se tocante graças, unicamente, à simplicidade autêntica dos versos.
Raras aparições merecem um comentário, sobretudo em se tratando de poemas simples e tocantes, outrossim elaborados com todo primor por pessoas, de igual modo, simples e tocantes. E, daqui do escritório, contemplei essa arte, ao som de foliões e batucadas, irrompendo da esquina.
E sob o som da folia do carnaval nasceu esta canção:
Sonho ruim
Você é apenas um sonho ruim
E quando eu acordar, vou gritar
Mas você não estará em mim
Os anos passam e você volta
Com outro corpo, outra voz
Mas a sua alma é a mesma
Os seus sentimentos e pensamentos são iguais
Eu nunca direi as três palavras
Nunca tenho a menor importância
Morrerei um dia e você não saberá
Porque já terá me esquecido.
E sempre me pergunta se eu esqueci meus amigos
Claro que não, eles pensam em mim
Você nunca pensa.
Você me esquece, escreve meu nome errado
Isso me dá muito ódio, você não sabe meu nome
Nem sabe que eu existo, prefere pensar nas coisas ruins
Você está preso ao seu passado, para não viver o presente.
Você não vai me vencer, terá que me matar
Você não é insubstituível
Você acha que eu não sei pensar ?
Acaba comigo, não me entende
Eu nunca sou boa o suficiente
É sempre assim
Os meus sonhos são muito ruins.
(*) Poema recebido por mim na pag. de recados do Orkut. Com paciência pude lê-lo, querendo não entrar no seu universo paralelo à aflição. O que mais me tocou não foi o conteúdo ou a disposição dos versos, mas a simplcidade autêntica e ,claro, a atenção da sua autora.
Rs rs rs, muito bom
ResponderExcluirFoi a primeira vez que alguém escreveu uma página sobre um poema que eu escrevi, *-*
ResponderExcluirNossa !