3 de mai. de 2011



Em se tratando de amor, o homem não deve colocar freio nos próprios pés. Há a dúvida, o desencontro do peito com as coisas da atmosfera , enfim. Por segundos, larguei a feminilidade egocêntrica de Balzac, naufragada nos salões suntuosos da França, ou mesmo a dulcíssima Angélica (de Serge e Anne Golon), marcando ponto pelos corredores do Louvre Musée, atapetados, convidativos aos contempladores de toda obra bela... Entretanto, também não poderia eu supor que seria agraciado da forma que fui.

Prontamente recordei-me das antigas felicidades, as quais alcunho por ora, em total segurança, de antigas paixões, vez que química desenfreada não gera solidificação. Caminharam comigo, de diversas formas, todas singulares: a pequena explosão literária, num jornal local, arrancando dois prêmios em academias distintas, não diferentes no conteúdo . Meu encontro com a música de uma forma curiosa, crendo numa casualidade impossível aos viventes. E, finalmente, feito broto de arte, um reencontro com o amor. Dias seguidos passei calculando a dimensão da felicidade a sós, até dar-me com a face na parede dura, aprendendo que só se é feliz quem vive em conjunto , segundo reza os ditames da sociologia e do coração. Fora tiro e queda, abandonei as paredes e estou feliz, de fato.

Em se tratando de coragem, temos que ser indomáveis racionalmente; podemos optar por aquilo que causa em nós um anseio positivo. Nem sempre aprisionar-se é o caminho mais correto a seguir-se . Jamais! Numa dada época eu busquei criticar aquilo que eu supunha conhecer, e amiúde teci críticas severas e houve morte de poesia. Ressenti-me vendo que minhas sinceridades boiavam pelo ar, aspirando coisas não melódicas, mas espaçadas, desconexas, desencontradas da simplicidade da vida e do sentimento. De certa forma, a poesia que quase morreu não chegou a colocar as asinhas de fora, para gáudio meu.

Em se tratando de passado, apenas agradeço. Contive-me em curiosas épocas, todas singulares. O cavalo, ser que me ensinara muito, é um animal que coloco intencionalmente no rol dos “racionais”. Ele vela , está certo, coloca-se em frente a qualquer perigo. E é amoroso, sem querer em troca adornos e objetos galvanizados de vaidade. Olho os frutos dos dias idos e agradeço novamente . O encontro com a espinhosa poesia solitária de Bandeira, a maneira desleixada e pomposa dos cronistas cariocas, em especial Rubem Braga e Antônio Maria, este último naufragado boêmio, a poesia simples de Quintana, dependente de hotéis, redações, traduções e possibilidades futuras. Dias idos, coisas que me pagam a tarefa crua de escrever, em tempo demais maravilhoso na minha vida ( quem ama, de repente se esquece dos livros queridos).

Em se tratando de Sarah, não posso deixar de cultivar uma pequena rosa de gratidão por tudo que ela me tem direcionado, em atenção que tem poder cumulativo. Dobram-se os dias, se torna mais intenso. Seus olhos , sua busca interminável pelo que preciso. De repente, ao lado dela, não posso sequer ser o artista, ou um ser normal, que vagueia involuntariamente em meio às torturas do cotidiano, buscando por um futuro melhor. A minha ajudadora que , de certa forma contempla, a seu modo particular e maravilhoso, as minhas conquistas e os meus atravanques, o que faz parte .Em se tratando de felicidade, não posso terminar este relato sem dar o título merecido , que é o amor, e com ele a mulher a amada.

Em se tratando de felicidade, melhor ser é feliz.

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